Clube Escola Butantã apresenta:
Samba de Gafieira com Alê Cantinho e Nina!
Redação por Vera Marini, Edição por Thaís Marini

Independente de políticas públicas,são muitos os que trabalham voluntariamente em nome do Samba, fazendo deste trabalho não só uma divulgação cultural, mas também como instrumento de uma melhor convivência entre as pessoas e todos os benefícios que isso traz.

Desde 2009, Alexandre Cantinho e Nina desenvolvem este trabalho em escolas públicas aqui na cidade de São Paulo. O público alvo são pessoas da comunidade a que a escola pertence. A idade pode variar de 18 a 80 anos e a turma possui cerca de 30 a 35 casais. A questão gratuidade não justifica o número de alunos e visitantes participantes. O que se assiste é uma aula de qualidade em que se objetiva aquilo que é primordial na Dança: a cumplicidade ou sintonia.

Neste ano de 2013, as aulas tiveram início em 16 de fevereiro, primeiro sábado após o Carnaval, limitada apenas a 25 casais, mas já são 35!
Como as aulas são gratuitas, duas faltas seguidas é considerada desistência e, o desistente, será substituído pela pessoa que esteja em fila de espera. 

SSC: Como é feita a divulgação do projeto?
Alê Cantinho: A divulgação é realizada pelo Clube Escola e pelo boca a boca de alunos que já fizeram o curso e recomendam para os amigos. Nós também utilizamos as redes sociais para avisar da existência do curso e divulgar as regras de atitude e frequência em sala de aula.

SSC: Quando começam e quando terminam as aulas? 
Alê Cantinho: Desde o primeiro ano desse projeto temos tido o objetivo de começar no segundo sábado de fevereiro. O último dia de aula é sempre no primeiro sábado de dezembro. É nesse dia que fazemos a nossa festa de fim de ano junto com os alunos.

SSC: Há um planejamento do que vai ser dado em aula?
Alê Cantinho: A única coisa que desejamos dos nossos alunos é que eles enxerguem a Dança como uma relação entre o masculino e o feminino de cada um deles. O passo é importante, mas ele é colocado dentro da relação entre a dama e o cavalheiro. Não importa saber o passo se ele não é oferecido para o seu parceiro. Esse é o único planejamento didático.
Os passos vão aparecendo de acordo com o avanço da turma.
Mesmo com 35 casais, conseguimos fazer com que todos os alunos entendam tecnicamente o passo. Só depois que todos conseguem executá-lo é que avançamos para o próximo.
Como já disse anteriormente, não importa o passo. O importante é fazê-lo para seduzir o parceiro.

SSC: Há um suporte de outros professores ou amigos?
Alê Cantinho: Sem dúvida. Esse ano foi especial. Vários professores, de várias escolas vieram participar do nosso projeto. Alguns vieram um ou 2 dias, outros vem mais constantemente. Nós somos muito agradecidos a eles, principalmente, por que eles podem dar aos nossos alunos outras formas de se encarar a dança, outro modo de se fazer o mesmo passo. Isso faz com que os nossos alunos cresçam na Dança.
Muitos amigos também vem nos visitar e participar das aulas. Tem amigos que vem de vários lados da cidade só para ajudar. Todos são muito bem-vindos. Muitos deles têm até crachá de identificação.
Somos muito gratos a todos eles.


SSC: Há a participação do público da escola? (alunos, docentes, gestores) De que forma?
Alê Cantinho: Em particular nesse Clube Escola, o público é de senhoras mais idosas que costumam frequentá-lo de segunda a sexta, na parte da manhã. Como nossas aulas são aos sábados, das 14 às 16hs, esse público quase não participa. 
O nosso apoio direto é do diretor e da secretaria do clube, ao qual somos muito gratos por ter permitido que nosso projeto pudesse ser executado ali.

SSC: Qual a maior dificuldade dos alunos?
Alê Cantinho: Sem dúvida, a maior dificuldade dos alunos é a entrega ao parceiro. Como o nosso objetivo é que a dança seja vista como uma relação entre o masculino (representado pelo cavalheiro) e o feminino (representada pela dama), diariamente repetimos a eles que enxerguem o outro, que dancem para o seu parceiro, que o outro seja o único objetivo deles.
É muito difícil fazer os alunos conseguirem ficar livres consigo mesmos ao ponto de se entregar para o outro, mesmo sendo apenas na Dança. As pessoas, infelizmente, não estão acostumadas com isso. 
Quando elas conseguem, melhoram até a relação pessoal com seus parceiros  de vida.

SSC: Qual a maior dificuldade dos professores?
Alê Cantinho: A maior dificuldade é controlar 35 casais. Não é fácil. Mas é muito prazeroso.

SSC: Qual a maior satisfação para o aluno? E para os professores?
Alê Cantinho: Acho que a satisfação é a mesma tanto para o aluno quanto para o professor.
Todos os nossos alunos entenderam que para melhorar na Dança eles tem que se entregar na relação com o seu parceiro. Eles não têm dúvida que isso é o melhor para a dança deles.
A maior satisfação é quando você vê isso acontecendo. O professor fica feliz por que o aluno atingiu esse grau de entrega. E você percebe que o aluno também ficou satisfeito com a realização.

SSC: Por que esse projeto?
Alê Cantinho: Esse projeto vem de um débito que eu considero que eu tenho com a Dança.
A Dança me deu muito mais do que eu esperava que iria conseguir um dia: me fez mais feliz; me transformou em uma pessoa melhor do que eu era antes de dançar.
Me senti na obrigação de devolver tudo isso que ganhei da dança, para  outras pessoas. Como já tenho uma outra atividade profissional, que me permite pagar minhas contas, achei que deveria fazer isso para todas as pessoas, sem discriminação.
O único problema é que depois que eu comecei a dar essas aulas, o prazer é tão grande, que parece que eu continuo sendo o maior beneficiado nessa relação professor x aluno. 
Acho que continuo em dívida.

SSC: Existe parceria com alguma Cia de Dança ou casa noturna?
Alê Cantinho: Não.Todo esse projeto existe sem que nenhum dinheiro ou relação comercial esteja envolvida. Tudo o que nós temos hoje é fruto de entidades ou pessoas que nos doaram espaços e equipamentos para que as aulas pudessem acontecer. E essas doações não serão divulgadas ao público. A doação tem que ser feita sem que exista uma relação de ganho, por quem quer que seja.

SSC: Qual o futuro do projeto? 
Alê Cantinho: Não penso no futuro do projeto. O meu prazer está em dar o meu melhor para todas as pessoas que queiram participar das nossas aulas. Esse é o meu presente e o meu futuro. 
É claro que estamos abertos a sugestões e parcerias, desde que sigam o nosso preceito principal que é a gratuidade e a não relação comercial.

SSC: Alê e Nina, por favor, uma mensagem final.
Alê Cantinho e Nina: Gostaríamos muito que todos pudessem enxergar o seu parceiro como alguém que devemos agradar, dar prazer a ele. Que entendam que não existe relação sem o outro. Não existe a Dança sem o outro. 

Quando as pessoas dançam, elas não devem fazer isso para o público. O único público que ela tem que agradar é o próprio parceiro. Você só precisa dançar para o seu parceiro, para mais ninguém!

Reconhecer o outro (ou os outros) como parte fundamental da sua existência, como pessoa é um ganho imensurável. Experimente! Sua vida e sua Dança irão melhorar sensivelmente!



Clube Escola Butantã
Rua Ernani da Gama Correia, 367 - Butantã – São Paulo
Aulas: todos os sábados, das 14 às 16hs.

Alê Cantinho demonstrando o que é esta "entrega"